O Ócio Criativo de Domenico de Masi - fragmentos para reflexão e provocação

06/12/2013 20:24

Domenico de Masi, sociólogo italiano, especialista em criatividade:

Por mais horas de folga

A criatividade é o maior capital dos países ricos.

Nós continuamos a organizar empresas como se fossem fábricas. É verdade que algumas empresas estão abolindo os horários rígidos, mas geralmente elas vêem isso como um benefício, um presente para o funcionário. A compreensão de que isso é uma necessidade para elas mesmas só acontecerá quando as gerações mais jovens chegarem à cúpula, quando os jovens chegarem à presidência da empresa.

O controle é o reino da burocracia. Motivação é o reino da criatividade. Burocracia significa não ter fantasia.

Os burocratas preferem outros burocratas e as pessoas criativas são mantidas à distância.

As pessoas criativas não gostam de trabalhar numa grande empresa. Eles acabam indo para uma empresa menor na qual possam desenvolver sua criatividade.

Nos processos de seleção as empresas descartam os criativos e ficam com pessoas sem imaginação. Depois, as mandam fazer cursos de criatividade.

Da mesma forma que nossos antepassados viviam para o trabalho, nós deveríamos viver em função do tempo livre. Ninguém nos prepara para o tempo livre.

A criatividade se nutre no ócio.

Conheci muito bem Fellini e muitos outros diretores de cinema. Eles circulam, conversam com gente de todos os níveis, tomam ônibus e metrô. Isso nutre a criatividade.

O próximo século será liderado pelos países que souberem organizar o tempo livre, assim como o século XX foi dominado pelos países que souberam organizar o trabalho.

Os chefes ficam 10 horas no escritório fingindo para si mesmos que estão cheios de trabalho. E, como não há nada a fazer, inventam reuniões inúteis.

Edifícios são anti-criativos. São gaiolas de vidro em que somos obrigados a conviver com colegas antipáticos e chefes mal-humorados e a comer aquela comida horrível no bandejão.

Nesses dois séculos de sociedade industrial, os homens nas empresas repeliram tudo o que é sensibilidade, estética e subjetividade – justamente as três condições indispensáveis para a criatividade.

O ideal é uma mistura de pessoas realistas e fantasiosas, homens e mulheres, velhos e jovens, gente organizada e outras meio indisciplinadas, todos unidos pela motivação.

O chefe deve ser alguém com muita competência técnica em seu campo e é vital que tenha muito carisma .

A criatividade não é destruída por limitações concretas, como prazos e orçamentos.

Quando o senhor costuma ter idéias ? Naquela fase em que começamos a acordar, mas não estamos totalmente despertos. Se adormeço com um problema à noite, quase sempre o resolvo ao acordar. Por isso não uso despertador, pois ele suprime essa fase de meio dormindo e meio acordado.

Deveríamos viver para o tempo livre, mas a escola e a família nos preparam apenas para o trabalho. Quando temos uma folga, quase sentimos culpa por isso.

Em Busca do Ócio

Quando Roma estava no ápice do seu fulgor imperial, a Itália contava com 10 milhões de escravos numa população de 50 milhões.

Na Atenas de Péricles, 50 mil cidadãos livres eram servidos por 300 mil escravos.

Taylor e Ford: Homens desempenham o papel de engrenagens programadas.

Hoje a população mundial é doze vezes maior do que na época de Isaac Newton. A nossa média de vida (700.000 horas) é seis vezes mais longa que a do homem de Neanderthal e mais que o dobro da dos nossos avós (300 000 horas). Estes trabalhavam 120.000 horas no curso de suas vidas, enquanto nós trabalharemos 80.000 horas. Os nossos filhos viverão em média 900.000 horas e trabalharão não mais que 50.000 horas.

As novas conquistas, já estocadas na bagagem da humanidade, exigirão uma reestruturação dos sistemas políticos, sociais e psicológicos.

Em contraponto aos valores da arrancada industrial, todos centrados no empirismo, no racionalismo, no consumismo – traduzidos no imaginário da posse, do poder e da riqueza – emergem valores novos, voltados mais para a criatividade, estética, confiança, subjetividade, feminilização, afetividade, desestruturação do tempo e do espaço, qualidade de vida. O que por sua vez, exige un novo tipo de bem-estar, a ser reinventado.

Todo o esforço físico e parte do esforço intelectual poderão ser delegados a máquinas, ao homem restará só o monopólio das atividades criativas.

Nunca tivemos tantas ferramentas para eliminar as quatro escravidões da escassez, da tradição, do autoritarismo e do cansaço físico.

Nunca estivemos tão perto de realizar o sonho de Aristóteles.

Sísifo: No fundo ela vai minando aos poucos a confiança que tem em si mesma, colocando metas cada vez menores, sem desafios e se desmotivando de ser a pessoas que ela é. Observando como nossa vida se torna uma série de tentativas e desistências, com realizações abaixo de nossa capacidade, aprendendo a reconhecer em nós o grande potencial que não está sendo realizado.

Enviado pelo nosso Colaborador Alessandro Finardi.
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